Eu tenho um espaço no Substack: uma plataforma online de publicações de news, pensamentos, artigos. Vale muito a pena conhecer. Recentemente, fiz uma newsletter lá falando sobre as mudanças comportamentais que ocorreram e afetaram a Moda em 2026. Segue a reflexão:
"Quem trabalha com moda aprende uma coisa cedo: tendências não começam nas passarelas.

Elas começam no comportamento das pessoas.
E, olhando para este ano, percebo algumas mudanças muito claras — tanto na minha loja quanto no que tenho observado ao redor do mundo.
A primeira delas parece contraditória.
Quanto mais Inteligência Artificial consumimos, mais passamos a valorizar aquilo que parece humano, artesanal, criativo, intuitivo.
Vivemos cercados por imagens perfeitas, vídeos gerados em segundos, textos escritos por IA e uma quantidade infinita de conteúdo. Tudo ficou mais rápido, mais bonito e mais acessível. Prático.
Mas também ficou mais parecido. Mais estático.
Talvez por isso estejamos vendo um movimento contrário.
As pessoas querem conhecer quem fez a peça.
Querem ver os bastidores.
Querem comprar de pequenas marcas. De pessoas comuns, que mostram erros e acertos. (Querem relação, verdade).
Querem ouvir histórias.
Querem produtos que pareçam reais.
O artesanal deixou de ser apenas uma estética. Virou um sentimento.
A imperfeição voltou a ter valor.
Outra mudança que tenho percebido é física — literalmente.

Nunca vi tantas pessoas falando sobre saúde, musculação, alimentação, longevidade e qualidade de vida.
Os medicamentos para obesidade aceleraram esse movimento, mas não foram os únicos responsáveis.
Existe hoje uma busca muito maior por bem-estar.
E isso está mudando o mercado de moda de uma forma silenciosa.
Na comércio atual, percebemos uma realidade curiosa:
Durante muitos anos, o desafio era atender principalmente grades maiores.
Hoje, em diversas marcas, o tamanho P desaparece primeiro das prateleiras.
Os números menores passaram a girar muito mais rápido.
Não significa que exista um “corpo ideal”.
Significa apenas que o perfil médio de consumo mudou.
E a indústria precisa acompanhar essa nova distribuição.
Nos calçados, acontece algo parecido...
Depois de anos dominados pelos tênis robustos, pelas plataformas e pelos modelos extremamente confortáveis, o salto fino voltou.
Mas voltou diferente.
Não como símbolo de obrigação.
E sim como escolha.
Vejo mulheres investindo novamente em peças mais femininas, mais elegantes e mais sofisticadas.
Talvez porque estejam vivendo um momento diferente consigo mesmas.
Quando a autoestima melhora, a forma de vestir também muda.
A roupa deixa de esconder.
Ela passa a comunicar.
E o salto aparece para dar o up no visual de uma mulher com estima elevada.

Também percebo uma valorização crescente da qualidade.
Comprar menos.
Comprar melhor.
Ter um guarda-roupa menor, mas com peças que durem anos.
É curioso pensar que justamente na época em que tudo ficou descartável, o desejo passou a ser permanência.
Mais identidade.
Talvez este seja o maior movimento da moda em 2026.
Não estamos apenas mudando o que vestimos.
Estamos mudando o motivo pelo qual compramos.
A moda sempre foi um reflexo da sociedade.
Hoje, ela parece refletir uma geração que busca equilíbrio entre tecnologia e humanidade, entre praticidade e autenticidade, entre conforto e elegância.
E, sinceramente?
Acho que estamos apenas no começo dessa transformação.
Gostaria de saber se você também tem percebido essas mudanças. Na sua cidade, no seu trabalho ou até no seu próprio guarda-roupa. Talvez a próxima grande tendência não seja uma cor ou um tecido. Talvez seja simplesmente voltar a escolher com mais consciência".
